A equipa do Cam/necessidades educativas especiais esteve a dar formação a um belo grupo de jovens estudantes do 1ºano da ESE Setúbal. Gente curiosa, opinativa...boas cabeças. Pedimos aos participantes umas quantas linhas sobre a problemática da deficiência. A Sara Chaves respondeu ao desafio com este texto transparente que, a seguir transcrevemos. Obrigado Sara.
De que forma, através da profissão que queremos seguir, poderemos ajudar as pessoas com dificuldades educativas especiais?
De facto, estou cansada. Estou cansada de todas as campanhas de sensibilização para com as pessoas com dificuldades educativas especiais. Cansada das que dão na televisão, na rádio, das que escrevem nos jornais. Até das reportagens, trabalho que sonho um dia fazer, que dão sobre isso eu estou farta. Porquê? É simples... mas eu tenho que me explicar melhor. Eu não digo que estou cansada de quem as faz.. que acredito que as façam com toda a dedicação do Mundo. Quero acreditar que pelo menos a maior parte das pessoas que as fazem seja mesmo com o objetivo de apelar à ajuda para com os que precisam verdadeiramente dela e não porque ganharão algo em troca. Ao que me refiro quando estou farta destas campanhas, é mesmo das pessoas que as vêm. Estou cansada da Maria que pede ao Manel para aumentar o volume da televisão, quando estão a anunciar mais uma instituição para crianças com deficiência que irá fechar por falta de verbas, que exclama um : "Ai coitadinhos", mas que logo após o anúncio terminar continua a coser as peúgas do filho e nada faz para mudar isso; estou cansada da Francisca que enche o seu facebook cheio de "likes" de páginas como: Vamos ajudar o Carlos a ter uma cadeira de rodas" mas que não contribui com o mais pequeno donativo que seja; estou cansada que as pessoas leiam os apelos de ajuda nos jornais e que apenas os utilizem para tapar os móveis, quando vão pintar a sala. Quando me foi proposto escrever umas poucas linhas sobre de que forma a profissão que quero desempenhar poderia ajudar as pessoas com dificuldades educativas especiais, pensei: "Estou feita, isto vai dar-me pano para mangas." Simplesmente e infelizmente porque eu não consigo pensar assim. Eu gosto muito de pessoas, como já tinha referido. E acho que as pessoas é que "fazem" a roupa que vestem, as pessoas é que "fazem" aquilo que são, as pessoas é que "fazem" a maneira como praticam a sua profissão. O que quero dizer com isto, é que seria bastante mais fácil se eu escrevesse: "Olá, sou a Sara e quero fazer reportagens. Através da profissão que quero desempenhar, considero que a maneira que poderia utilizar para ajudar as pessoas com dificuldades educativas especiais seria mostrar ao mundo, através de vídeos, essa realidade, como reagem e o quanto precisam de ajuda, de modo a sensibilizar todos os que perderiam 20 minutos das suas vidas a vê-las." Agora pergunto, para quê? Talvez estas reportagens me dessem a nomeação para dez prémios, talvez até os ganhasse a todos. E depois? As pessoas que precisam iam ser ajudadas? O Henrique iria perder duas horas por semana de ginásio para ajudar estas pessoas? E a Mafalda iria deixar de ir ao cabeleireiro menos uma vez por semana para ajudar essas pessoas?
Eu não sei se me estou a fazer entender, e sei que este não é o objetivo que queriam. Tenho a certeza que existem muitas pessoas que, através da profissão que exercem, conseguem chegar perto de quem precisa de ajuda. Talvez seja eu que considere que através da minha não vá fazer grande coisa. Talvez ache que valha muito mais a pena pegar naquilo que sou, nos meus ideais, "arregaçar as mangas" e ir trabalhar com essas pessoas. Independentemente de ser cabeleireira ou dentista. Acredito que por detrás da profissão de pintor e de educadora de infância, das pessoas que estão conosco nestas duas aulas, estão duas pessoas apaixonantes que têm um grande amor por aquilo que fazem. E é assim que eu quero ser..
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Famílias: Nova oficina no Centro de Arte Moderna
Estão abertas as inscrições para as "Oficinas Museu Aberto" do Centro de Arte Moderna dedicadas a Famílias especiais. "Fora de nós, o Mundo" - Ateliê sob o tema da paisagem e do nosso espaço envolvente - 19 e 26 de Novembro (Sábado - 11h). "Meu rosto Teu" - Oficina sobre retrato e identidade - 10 e 17 de Março (Sábado - 11h). Inscrições limitadas. Contactar Margarida Vieira: mmendes@gulbenkian.pt
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Um caracol diferente
Há muito tempo que não desenhava um logótipo. Primeiro surge um impulso intuitivo para o qual não há grande explicação. Depois, um trabalho de síntese, de desenho concentrado. O Emílio e a Ana desafiaram-me a criar uma imagem para a Associação de Saúde Mental Infanto-juvenil. Pensei no autismo e na enorme dificuldade que tenho em chegar junto dos jovens e crianças com que trabalhamos no Centro de Arte Moderna. Quando me aproximo, eles recolhem-se na sua casca de caracol ou de nautilus como diz o Emílio. É um mundo secreto, interior este onde pretendemos chegar e sobre o qual ainda não temos dados suficientes para o entender satisfatoriamente. Por outro lado surgiu-me a ideia da protecção, daí o aparecimento da mão que envolve mas age. Essa mão pertence aquele ser enrolado sobre si; poderemos encontrar uma alusão ao trabalho que o próprio individuo faz interiormente, desenrolando-se à medida que comunica com o mundo. Há também aquele umbigo no centro do caracol, barriga e abrigo…
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Oficinas 2011/2012
Atenção amigos! Já abriram as inscrições para as "oficinas Museu Aberto", dedicadas a públicos com necessidades educativas especiais. Convidamos as Instituições e a Escola Pública a participar nas nossas oficinas orientadas pela Margarida Vieira e pelo Miguel Horta. Relembro que este serviço é gratuito, dependendo só da organização e vontade das instuições que trabalham com os nossos jovens. Este ano propomos uma oficina nova sob o tema da paisagem: "Fora de nós, o Mundo".
Também já abriram as inscrições para o programa dedicado às famílias especiais que decorre aos Sábados de manhã. Como sabem, convém fazer a inscrição atempada pois lá para o meio de Outubro já está tudo esgotado. Não percam!
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
"A minha imaginação são os meus olhos"
Resolvi dar eco no nosso blog, do trabalho invisível que vem sendo feito por técnicos discretos em instituições sociais (Segurança Social ou IPSS) e outras com a comunidade invisual ou de baixa visão. É o caso de Nazaré Pinto do Instituto Condessa de Rilvas que vem trabalhando as interioridades de jovens invisuais: dar-lhes a palavra, consciencializar condições para operar a mudança no quotidiano, promovendo a integração. Deixo-vos algumas frases e fotos que dão o mote do seu trabalho. O Instituto Condessa de Rilvas confirma a importância das parcerias entre Museus e instituições, onde a Arte se constitui como veículo de novas descobertas e avanços terapêuticos, tornando-se os seus utentes em público dos espaços museológicos. A equipa do Centro de Arte Moderna conta com uma estagiária desta instituição, Teresa Barreto, o que confirma a vontade de aplicar o discurso artístico contemporâneo nas abordagens terapêuticas feitas no dia a dia daquela casa.
As palavras da Nazaré:
"Nada se compara à vivência e ao contacto directo com estes jovens. Jovens que nos preenchem quer ao nível profissional quer ao nível pessoal. É gratificante trabalhar com eles, pois é mais o que aprendo do que aquilo que ensino. é junto deles que me sinto útil e sinto que assim cumpro o meu dever como ser humano, pessoa, educadora e alguém a quem eles confidenciam, confiam e partilham momentos da sua vida. É lindo ver o muito e o pouco progressos de todos eles. É igualmente gratificante e prazeroso todo o trabalho que invisto neles.
Eles são os meus meninos, como eu sei que sou a menina deles"
As palavras da Nazaré:
"Nada se compara à vivência e ao contacto directo com estes jovens. Jovens que nos preenchem quer ao nível profissional quer ao nível pessoal. É gratificante trabalhar com eles, pois é mais o que aprendo do que aquilo que ensino. é junto deles que me sinto útil e sinto que assim cumpro o meu dever como ser humano, pessoa, educadora e alguém a quem eles confidenciam, confiam e partilham momentos da sua vida. É lindo ver o muito e o pouco progressos de todos eles. É igualmente gratificante e prazeroso todo o trabalho que invisto neles.
Eles são os meus meninos, como eu sei que sou a menina deles"
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Atenção Famílias!
As "Oficinas Museu Aberto", dedicadas a públicos especiais" decorrem este ano com bastante sucesso, tendo agora horário alargado à 4ª feira. Nesta altura, as sessões encontram-se praticamente esgotadas, existindo apenas vaga da parte da tarde a partir de Abril. Um grande número de instituições, a par da escola pública, tem respondido às nossas propostas. Realço aqui o trabalho com famílias, ao fim de semana, com sessões previstas para 19 e 26 de Fevereiro ("De corpo inteiro"), 14 e 21 de Maio ("Meu rosto Teu") e 4 e 18 de Junho ("Retrato a 4 mãos"). A inscrições estão abertas! Podem contactar a Margarida Vieira pelo mail mmendes@gulbenkian.pt ou ligar directamente para o Centro de Arte Moderna (Fundação Calouste Gulbenkian). Lá vos esperamos.
sábado, 20 de novembro de 2010
Estimular a curiosidade
Via "Pais em Rede":
"Tornar uma criança curiosa por seu ambiente é a primeira etapa para fazer nascer o interesse em compreender este ambiente, em agir e reagir. A criança que apresenta limitações específicas chegará nesse ponto de forma melhor se algumas pequenas atividades cotidianas a tornarem atenta ao que está a sua volta.
PROVOCAR SEU OLHAR: Olhá-lo, procurar seu olhar e falar com ele enquanto você o alimenta. (laço afetivo, estimulação para olhar seu rosto, estimulação auditiva)
Na janela, mostrar a chuva que cai. (sequencia visual da chuva em movimento, conhecimento de seu ambiente)
Mostrar a água que cai no vaso sanitário quando você aciona a descarga. (relação causa-efeito, estimulação visual, familiarização com o barulho)
Fazer derreter o gelo em uma bandeja. (experiência de química, estimulação visual e tátil)
Fazê-lo seguir com os olhos as bolinhas de sabão e pedir para ele colocar o dedo. (capacidade de atenção, sequencia visual de um objeto em movimento, coordenação olho-mão)
Em um dia ensolarado, propor seguir sobre a parede o reflexo do sol em um pequeno espelho. (relação de causa e efeito, sequencia visual de um objeto em movimento, permanência do objeto)
Mostrar as folhas que o vento faz cair e girar. (sequencia visual de um objeto em movimento, relação de causa e efeito)
Brincar de esconde-esconde. (conceito de permanência do objeto, estimulação auditiva junto com a estimulação visual, laço afetivo)
Fazer descobrir a mágica do espelho que copia os gestos e que lhe mostra uma pessoa, mesmo se ela está atrás dele. (imagem de si, relação de causa e efeito, estimulação para olhar seu rosto e os outros)
Espalhar creme de barbear em um espelho e pedir para a criança reaparecer esfregando o espelho. (estimulação visual e tátil, relação de causa e efeito, conhecimento do corpo, tomada de decisão)
Descobir a mágica do colorante vegetal que muda a cor da água. (experiência de física, interesse visual em acompanhar o processo, relação de causa e efeito)
Levando a criança a observar seu ambiente, o provocamos a estabelecer, pelo olhar, um contato com os objetos e com as pessoas.
Ela desenvolve, assim, sua capacidade de concentrar sua atenção sobre um objeto, seguir os deslocamentos e os olhos no rosto das pessoas ao seu redor. Sabemos que o contato visual entre pais e filhos ajuda a estabelecer uma interação entre eles.
Se teu filho olha para ti, tu serás levado a olhá-lo e a falar com ele.
Estas atividade não estimulam somente a visão da criança, elas fornecem também conhecimento sobre seu ambiente (fenômeno físico, relação de causa e efeito, permanência de objetos); além disso, elas fornecem estímulos auditivos e táteis e favorecem a interação com as pessoas.
PROVOCÁ-LO A ESCUTAR: Gravar sua voz em um gravador. (funcionamento dos objetos, relação de causa e efeito, identificação das vozes, estimulação para falar ou emitir sons)
Ensinar-lhe a reproduzir os sons dos animais. (pensamento simbólico associando um som a um animal, estimulação para emitir sons)
Adotar uma canção ou um conto para diferentes atividades, a qual se torna o tema e permite à criança prever o desenrolar da atividade. (vínculo entre um estímulo auditivo e uma ação precisa, laço afetivo, estimulação do movimento, antecipação de uma ação)
Contar uma história. (lógica de uma narrativa, antecipação do que acontecerá, imaginação, compreensão)
Ouvir músicas, canções. (identificação das canções, ritmo, compreensão)
Ouvir o tiquetaque de um despertador, de um relógio. (características de um objeto, identificação dos ruídos)
Ouvir a voz do Pai no telefone. (características dos objetos, laços afetivos, identificação de vozes, permanência dos objetos)
Mudar o tom da voz para torná-la aguda ou grave. (variedade de estímulos auditivos, senso de humor)
Cantar em diferentes ritmos. (reconhecer ritmos, compreensão, laço afetivo)
Descobrir que certas pessoas sabem assobiar como pássaros. ( reconhecimento dos sons, compreensão de seu ambiente)
Atrair sua atenção para ruídos que vêm do exterior da casa. ( atenção auditiva, familiarização com os ruídos)
Tornar a criança atenta ao mundo sonoro que está ao seu redor lhe permite conhecer seu ambiente e lhe ajuda a se familiarizar-se com os ruídos deste ambiente. Às vezes podem até lhe trazer sentimentos de segurança.
PROVOCÁ-LO A TOCAR, A SER TOCADO: Fazê-lo sentir o vento que bate em seu rosto e desmancha seu cabelo. ( distição entre calor, frio e morno, reconhecimento da intensidade da estimulação do vento)
Não esconder completamente seu rosto, em uma saída no inverso, para fazê-la sentir o vento em seu rosto. (nova estimulação tátil, reconhecimento do frio)
Fazê-la descobrir a maciez ou o rugoso dos objetos. (reconhecimento das texturas)
Fazê-la sentir a vibração do aspirador. (nova estimulação tátil, familiarização com o ruído que às vezes dá medo na criança)
Sentir a maciez de uma coberta de flanela que é colocada sobre ela. (reconhecimento das texturas, associação da maciez com bem-estar)
Passar o jato do chuveirinho sobre seu ventre, suas costas, suas coxas. (nova estimulação tátil, conhecimento das partes do corpo)
Deixá-la tocar a barba do pai. (familiarização com uma nova textura, estimulação tátil)
Rolar ou esconder algumas partes de seu corpo na grama, nas folhas ou simplesmente no cobertor. (estimulação vestibular junto com a estimulação tátil se fazemos a criança rolar, permanência de objeto, integração das diferentes partes do corpo)
Fazê-la descobrir o mole/duro, calor/frio, molhado/seco, leve/pesado. (descoberta das características dos objetos: peso, temperatura)
Oferecendo a teu filho brinquedos de diferentes texturas (urso de pelúcia, blocos de madeira, bolas de borracha, bonecas de tecido), tu estimulas a estimulação tátil. E perguntando se ele acha que é macio, frio, pesado ..., tu o tornas consciente das características táteis dos objetos, desafiando-o a comunicar.
PROVOCÁ-LO A SENTIR: Sentir o perfume de uma flor. ( reconhecimento dos odores)
Sentir o cheiro de um bolo que sai do forno. ( descoberta dos odores, associação de um odor a alguma coisa agradável)
Sentir o perfume da mamã, a loção pós-barba do papá (distinção entre odores, associação do odor às pessoas)
Sentir o cheiro do sabonete no nosso corpo no momento do banho ou de lavar as mãos. ( descoberta dos odores agradáveis)
Sentir cheiros menos agradáveis. (descoberta dos odores desagradáveis)
Arranjar brinquedos que estimulam seu olfato: massa de modelar com perfume de frutas, lápis perfumado. (estimulação do olfato, descoberta do perfume de frutas)
FAZÊ-LO DESCOBRIR O MOVIMENTO: Todas as atividades que se segem permitem à criança fazer a experiência do movimento, oferecem um estímulo vestibular.
Balançá-la lentamente em seus braços. ( experiência de balanço leve)
Parecer que está pedalando com suas pernas no momento das trocas de fraldas. ( experiência de movimentos alternados das pernas, movimentos que serão requisitados no momento da marcha, integração dos dois lados do corpo)
Quando ela controla bem sua cabeça e começa a controlar seu tronco, sentar no chão entre sua coxa e, segurando pelo quadril, balançar lentamente da esquerda para a direita e para a frente. (estimulação de reação de proteção em posição sentada, estimulação auditiva através de canções)
Fazer de novo a mesma atividade, segurando sempre pelo quadril, mas desta vez sentado em uma cadeira, a criança sobre os seus joelhos com as pernas de cada lado. (estimulação maior das reações de proteção em posição sentada)
Estando sentado sobre uma caderia e com as pernas cruzadas, sente seu filho sobre seu pé, faça-o subir e descer, segurando-o pelas axilas, se ele controla bem a cabeça, ou pelas mãos, se ele controla também o tronco. (experiência de movimentos ritmados, estimulação para manter o tronco, experiência de aceleração pelos empurrões da criança)
Em posição de pé e segurando seu filho pelas axilas, balançar de frente para trás entre suas pernas. (experiência de movimentos ritmados, estimulação para emitir sons)
Balançá-lo no parque. (movimento de balançar mais vigoroso que nos braços, comunicação de seus desejos, estimulação do controle da posição sentada)
Escorregar na relva ou em um escorrega no parque. (estimulação da posição sentada, experiência de aceleração, estimulação tátil pelo vento e estimulação auditiva pelas palavras do pai ou da mãe, laço afetivo)
A criança aprende primeiro pelos sentidos, e é isto que nós estimulamos neste tipo de atividades. A criança registra também mensagens afetivas pelos sentidos.
Não hesite em lhe dizer, pelo seu olhar, que você a ama, lhe dar um sentimento de segurança com uma doce pressão quando ela está em seus braços, lhe oferecer o prazer de um carinho ou de uma massagem.
Com o conjunto destas atividades, você torna seu filho mais consciente do que há em torno dele e o fará experimentar diversas sensações. Ele descobre as características dos objetos (macio, maleável, áspero, luminoso), as particularidades das pessoas ao seu redor (voz, barba) e desenvolve sua percepção das texturas, das vozes, dos sons. Ele descobre também que pode agir sobre seu ambiente (gravador, creme de barbear).
A atividade será mais agradável e mais próxima de uma brincadeira se ela solicita vários sentidos: visão, audição, tocar, movimentar. Se vários sentidos enviam ao cérebro mensagens relacionadas ao mesmo objeto, a aprendizagem será mais rica. Não hesite em explicar a situação à criança, CONVIDÁ-LA a olhar os objetos, a tocar, a fazer sentire, a dizer o nome. Assim ela poderá tirar o máximo destas atividades."
Fonte: Além da deficiência física ou intelectual - um filho a ser descoberto (Ferland)
"Tornar uma criança curiosa por seu ambiente é a primeira etapa para fazer nascer o interesse em compreender este ambiente, em agir e reagir. A criança que apresenta limitações específicas chegará nesse ponto de forma melhor se algumas pequenas atividades cotidianas a tornarem atenta ao que está a sua volta.
PROVOCAR SEU OLHAR: Olhá-lo, procurar seu olhar e falar com ele enquanto você o alimenta. (laço afetivo, estimulação para olhar seu rosto, estimulação auditiva)
Na janela, mostrar a chuva que cai. (sequencia visual da chuva em movimento, conhecimento de seu ambiente)
Mostrar a água que cai no vaso sanitário quando você aciona a descarga. (relação causa-efeito, estimulação visual, familiarização com o barulho)
Fazer derreter o gelo em uma bandeja. (experiência de química, estimulação visual e tátil)
Fazê-lo seguir com os olhos as bolinhas de sabão e pedir para ele colocar o dedo. (capacidade de atenção, sequencia visual de um objeto em movimento, coordenação olho-mão)
Em um dia ensolarado, propor seguir sobre a parede o reflexo do sol em um pequeno espelho. (relação de causa e efeito, sequencia visual de um objeto em movimento, permanência do objeto)
Mostrar as folhas que o vento faz cair e girar. (sequencia visual de um objeto em movimento, relação de causa e efeito)
Brincar de esconde-esconde. (conceito de permanência do objeto, estimulação auditiva junto com a estimulação visual, laço afetivo)
Fazer descobrir a mágica do espelho que copia os gestos e que lhe mostra uma pessoa, mesmo se ela está atrás dele. (imagem de si, relação de causa e efeito, estimulação para olhar seu rosto e os outros)
Espalhar creme de barbear em um espelho e pedir para a criança reaparecer esfregando o espelho. (estimulação visual e tátil, relação de causa e efeito, conhecimento do corpo, tomada de decisão)
Descobir a mágica do colorante vegetal que muda a cor da água. (experiência de física, interesse visual em acompanhar o processo, relação de causa e efeito)
Levando a criança a observar seu ambiente, o provocamos a estabelecer, pelo olhar, um contato com os objetos e com as pessoas.
Ela desenvolve, assim, sua capacidade de concentrar sua atenção sobre um objeto, seguir os deslocamentos e os olhos no rosto das pessoas ao seu redor. Sabemos que o contato visual entre pais e filhos ajuda a estabelecer uma interação entre eles.
Se teu filho olha para ti, tu serás levado a olhá-lo e a falar com ele.
Estas atividade não estimulam somente a visão da criança, elas fornecem também conhecimento sobre seu ambiente (fenômeno físico, relação de causa e efeito, permanência de objetos); além disso, elas fornecem estímulos auditivos e táteis e favorecem a interação com as pessoas.
PROVOCÁ-LO A ESCUTAR: Gravar sua voz em um gravador. (funcionamento dos objetos, relação de causa e efeito, identificação das vozes, estimulação para falar ou emitir sons)
Ensinar-lhe a reproduzir os sons dos animais. (pensamento simbólico associando um som a um animal, estimulação para emitir sons)
Adotar uma canção ou um conto para diferentes atividades, a qual se torna o tema e permite à criança prever o desenrolar da atividade. (vínculo entre um estímulo auditivo e uma ação precisa, laço afetivo, estimulação do movimento, antecipação de uma ação)
Contar uma história. (lógica de uma narrativa, antecipação do que acontecerá, imaginação, compreensão)
Ouvir músicas, canções. (identificação das canções, ritmo, compreensão)
Ouvir o tiquetaque de um despertador, de um relógio. (características de um objeto, identificação dos ruídos)
Ouvir a voz do Pai no telefone. (características dos objetos, laços afetivos, identificação de vozes, permanência dos objetos)
Mudar o tom da voz para torná-la aguda ou grave. (variedade de estímulos auditivos, senso de humor)
Cantar em diferentes ritmos. (reconhecer ritmos, compreensão, laço afetivo)
Descobrir que certas pessoas sabem assobiar como pássaros. ( reconhecimento dos sons, compreensão de seu ambiente)
Atrair sua atenção para ruídos que vêm do exterior da casa. ( atenção auditiva, familiarização com os ruídos)
Tornar a criança atenta ao mundo sonoro que está ao seu redor lhe permite conhecer seu ambiente e lhe ajuda a se familiarizar-se com os ruídos deste ambiente. Às vezes podem até lhe trazer sentimentos de segurança.
PROVOCÁ-LO A TOCAR, A SER TOCADO: Fazê-lo sentir o vento que bate em seu rosto e desmancha seu cabelo. ( distição entre calor, frio e morno, reconhecimento da intensidade da estimulação do vento)
Não esconder completamente seu rosto, em uma saída no inverso, para fazê-la sentir o vento em seu rosto. (nova estimulação tátil, reconhecimento do frio)
Fazê-la descobrir a maciez ou o rugoso dos objetos. (reconhecimento das texturas)
Fazê-la sentir a vibração do aspirador. (nova estimulação tátil, familiarização com o ruído que às vezes dá medo na criança)
Sentir a maciez de uma coberta de flanela que é colocada sobre ela. (reconhecimento das texturas, associação da maciez com bem-estar)
Passar o jato do chuveirinho sobre seu ventre, suas costas, suas coxas. (nova estimulação tátil, conhecimento das partes do corpo)
Deixá-la tocar a barba do pai. (familiarização com uma nova textura, estimulação tátil)
Rolar ou esconder algumas partes de seu corpo na grama, nas folhas ou simplesmente no cobertor. (estimulação vestibular junto com a estimulação tátil se fazemos a criança rolar, permanência de objeto, integração das diferentes partes do corpo)
Fazê-la descobrir o mole/duro, calor/frio, molhado/seco, leve/pesado. (descoberta das características dos objetos: peso, temperatura)
Oferecendo a teu filho brinquedos de diferentes texturas (urso de pelúcia, blocos de madeira, bolas de borracha, bonecas de tecido), tu estimulas a estimulação tátil. E perguntando se ele acha que é macio, frio, pesado ..., tu o tornas consciente das características táteis dos objetos, desafiando-o a comunicar.
PROVOCÁ-LO A SENTIR: Sentir o perfume de uma flor. ( reconhecimento dos odores)
Sentir o cheiro de um bolo que sai do forno. ( descoberta dos odores, associação de um odor a alguma coisa agradável)
Sentir o perfume da mamã, a loção pós-barba do papá (distinção entre odores, associação do odor às pessoas)
Sentir o cheiro do sabonete no nosso corpo no momento do banho ou de lavar as mãos. ( descoberta dos odores agradáveis)
Sentir cheiros menos agradáveis. (descoberta dos odores desagradáveis)
Arranjar brinquedos que estimulam seu olfato: massa de modelar com perfume de frutas, lápis perfumado. (estimulação do olfato, descoberta do perfume de frutas)
FAZÊ-LO DESCOBRIR O MOVIMENTO: Todas as atividades que se segem permitem à criança fazer a experiência do movimento, oferecem um estímulo vestibular.
Balançá-la lentamente em seus braços. ( experiência de balanço leve)
Parecer que está pedalando com suas pernas no momento das trocas de fraldas. ( experiência de movimentos alternados das pernas, movimentos que serão requisitados no momento da marcha, integração dos dois lados do corpo)
Quando ela controla bem sua cabeça e começa a controlar seu tronco, sentar no chão entre sua coxa e, segurando pelo quadril, balançar lentamente da esquerda para a direita e para a frente. (estimulação de reação de proteção em posição sentada, estimulação auditiva através de canções)
Fazer de novo a mesma atividade, segurando sempre pelo quadril, mas desta vez sentado em uma cadeira, a criança sobre os seus joelhos com as pernas de cada lado. (estimulação maior das reações de proteção em posição sentada)
Estando sentado sobre uma caderia e com as pernas cruzadas, sente seu filho sobre seu pé, faça-o subir e descer, segurando-o pelas axilas, se ele controla bem a cabeça, ou pelas mãos, se ele controla também o tronco. (experiência de movimentos ritmados, estimulação para manter o tronco, experiência de aceleração pelos empurrões da criança)
Em posição de pé e segurando seu filho pelas axilas, balançar de frente para trás entre suas pernas. (experiência de movimentos ritmados, estimulação para emitir sons)
Balançá-lo no parque. (movimento de balançar mais vigoroso que nos braços, comunicação de seus desejos, estimulação do controle da posição sentada)
Escorregar na relva ou em um escorrega no parque. (estimulação da posição sentada, experiência de aceleração, estimulação tátil pelo vento e estimulação auditiva pelas palavras do pai ou da mãe, laço afetivo)
A criança aprende primeiro pelos sentidos, e é isto que nós estimulamos neste tipo de atividades. A criança registra também mensagens afetivas pelos sentidos.
Não hesite em lhe dizer, pelo seu olhar, que você a ama, lhe dar um sentimento de segurança com uma doce pressão quando ela está em seus braços, lhe oferecer o prazer de um carinho ou de uma massagem.
Com o conjunto destas atividades, você torna seu filho mais consciente do que há em torno dele e o fará experimentar diversas sensações. Ele descobre as características dos objetos (macio, maleável, áspero, luminoso), as particularidades das pessoas ao seu redor (voz, barba) e desenvolve sua percepção das texturas, das vozes, dos sons. Ele descobre também que pode agir sobre seu ambiente (gravador, creme de barbear).
A atividade será mais agradável e mais próxima de uma brincadeira se ela solicita vários sentidos: visão, audição, tocar, movimentar. Se vários sentidos enviam ao cérebro mensagens relacionadas ao mesmo objeto, a aprendizagem será mais rica. Não hesite em explicar a situação à criança, CONVIDÁ-LA a olhar os objetos, a tocar, a fazer sentire, a dizer o nome. Assim ela poderá tirar o máximo destas atividades."
Fonte: Além da deficiência física ou intelectual - um filho a ser descoberto (Ferland)
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