domingo, 18 de novembro de 2012

A minha paisagem

 William Turner - "Naufrágio de um cargueiro" (col. Museu Gulbenkian)
Para além das oficinas em duas sessões que o programa Descobrir apresenta, existe também uma visita de 60 minutos dedicada a públicos com necessidades educativas especiais orientada pela nossa colega Rosário Azevedo (Museu Gulbenkian): “A minha paisagem”.
Temos aproveitado a presença da exposição “As idades do Mar” patente no edifício sede da Fundação bem como a coleção permanente do museu. As imagens que apresentamos falam por si… A não perder! Para marcações falar com a Margarida Vieira (CAM): 217823491

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Comunicar


Esta semana, no Centro de Arte Moderna (programa Descobrir) temos trabalhado com crianças com deficiência profunda. O Instrumentarium Baschet tem sido o veículo pedagógico para vivenciar o som. Mas acima de tudo é de comunicação que se trata; tarefa persistente em que todo o nosso corpo se constitui ferramenta. O mediador promove o contacto com as esculturas sonoras ao mesmo tempo que estabelece a comunicação com aquelas crianças aprisionadas num corpo discordante, pequenas pessoas habitando um lugar longínquo que tentamos alcançar. Melhoramos o ambiente da nossa sala de ensaios para este momento: reduzimos as luzes e estendemos um tapete confortável, criamos o lugar para esta comunicação. O “Baschet” vai soando espaçadamente, em harmonia tocado por técnicos, monitores e um menino mais autónomo. É um combate genuíno pelo outro, frágil e distante. Tocar, fazer com que a criança sinta a vibração na mão ou na bochecha que esconde um maxilar que ressoa a cada variação sonora. Ir conversando reconhecendo sinais discretos de concordância ou de agrado enquanto manuseamos o instrumento. Ir falando sempre, olhos nos olhos, reconhecendo um piscar de olho ou um gesto ou esgar com significado. Intenso e verdadeiro. No final retiramos os meninos das cadeiras de rodas, deitando-os delicadamente sobre o tapete: tocamos para eles com suavidade. Quando a música para uma menina sem aparente comunicação começa a soltar um canto gutural, como um lamento, outros dois meninos começam a “cantar” também com as suas vocalizações. Ficamos ali em silêncio olhando o canto daquelas crianças. A sessão correu bem. Dentro de mim cresce uma comoção calma que me acompanha até chegar ao ateliê.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Programar para a diversidade

O Programa Descobrir esteve presente no Seminário do GAM (Grupo para a acessibilidade dos museus) numa comunicação feita por Margarida Vieira e Miguel Horta. Foi um dia proveitoso e definidor. é importante partilhar o conhecimento com os colegas de outros museus. aqui fica o texto que definiu a ordem dos trabalhos no Seixal:
 
"Num mundo cheio de oportunidades, mas também com muita exclusão social, programar para TODOS e criar espaço para a interação de TODOS, deve ser uma das grandes preocupações da programação dos museus. Neste seminário falaremos sobre legislação e a sua importância na criação de acessibilidades e em pontes de comunicação, que nos podem levar ao encontro de uma maior diversidade de públicos. A forma como se pode fazer fluir a comunicação entre os diferentes públicos, tendo como pretexto as coleções e acervos dos museus.
Criando um formato um pouco diferente dos anteriores seminários, com a introdução de uma mesa redonda, queremos ir mais longe, ouvindo as opiniões de todos os interessados sobre a programação que temos disponível e aquela que gostaríamos de ter, a que nos faz falta e a que pode preenche as nossas necessidades. Opiniões que queremos registar à guisa de recomendações e que divulgaremos amplamente, na expetativa de que sejam um auxiliar válido na tarefa de programar. Teremos exemplos de boas práticas em museus em Espanha e Portugal e abriremos a porta a outras programações artísticas, que muito enriquecem o panorama cultural e educativo do nosso país."

segunda-feira, 8 de outubro de 2012


Ainda há vagas para a oficina “Sábado sou som” dedicada às famílias especiais. Sábados, 20 e 27 de Outubro. A não perder esta novidade do programa DESCOBRIR.
“Oficina onde se propõe o convívio com a expressão sonora como forma de comunicação e afirmação da identidade. Jogos e conversas musicais, perceção do espaço e grafismo, com recurso ao Instrumentarium Baschet. É nossa intenção criar um espaço onde a família possa fruir descontraidamente da oferta do serviço de música e interagir com outras famílias com o mesmo tipo de problemática, trocando experiências e aliviando tensões.” Contacto: Margarida Vieira (CAM): 217823491

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Necessidades educativas especiais: Oficinas para famílias


O programa Descobrir apresenta este ano uma conjunto de novidades nas suas oficinas, cruzando os diversos espaços da Fundação Calouste Gulbenkian. Oficinas dedicadas à família alargada que se desenvolvem em duas sessões aos sábados de manhã. Propomos que conheçam o Instrumentarium Baschet ( “Sábado sou Som”) e o Lab Móvel (“Sábado som móvel” -recursos digitais) ateliês onde se trabalha o espaço e a sonoridade individual.
Também uma oficina a realizar no Museu Calouste Gulbenkian em torno da obra de René Lalique promete entusiasmar os nossos jovens especiais (“Sábados Lalique”)
“Sábados som móvel”
Oficina onde se propõe o convívio com a expressão sonora como forma de comunicação e afirmação da identidade. Jogos e conversas musicais, perceção do espaço e grafismo. Com recurso ao LabMóvel. Nestes Sábados exploraremos as potencialidades da oferta do serviço de música, pegando em peças da Orquestra Gulbenkian e outras fontes musicais e propondo a experimentação contemporânea e lúdica do som. Um espaço de fruição da criação sonora dedicado à família alargada.
"Sábado sou som”
Oficina onde se propõe o convívio com a expressão sonora como forma de comunicação e afirmação da identidade. Jogos e conversas musicais, perceção do espaço e grafismo, com recurso ao Instrumentarium Baschet. É nossa intenção criar um espaço onde a família possa fruir descontraidamente da oferta do serviço de música e interagir com outras famílias com o mesmo tipo de problemática, trocando experiências e aliviando tensões.
“Sábados Lalique”
Visita-oficina ao Museu Calouste Gulbenkian tendo como tema central a coleção René Lalique. Partiremos das peças de ourivesaria ao encontro da natureza através do desenho. Concluiremos a vivência no Museu com uma oficina de ourivesaria “faz de conta” utilizando diferentes recursos. O desenho como meio de registo do apreendido e a “ourivesaria” em papel e outros materiais como forma de desenvolvimento da motricidade fina através da expressão plástica.

Para marcar, ligar diretamente para Margarida Vieira (CAM): 217823491

domingo, 23 de setembro de 2012

Programa Descobrir (Fundação Calouste Gulbenkian) - Instrumentarium Baschet

Eu sou som é uma das oficinas que apresentamos este ano para o público com necessidades educativas especiais (programa Descobrir) utilizando dois recursos pedagógicos da Fundação Calouste Gulbenkian: O Lab Móvel e o Instrumentárium Baschet. É sobre este último que vos iremos falar um pouco através de um texto de Lídia Robertson que desde sempre tem utilizado este conjunto de esculturas sonoras.
Desde os anos 50 do século passado, Bernard et François Baschet, um escultor e outro engenheiro, começaram a estudar as possibilidades do som. Fruto do seu trabalho são as esculturas sonoras, e um projecto que se desenvolveu no último meio século atravessando as fronteiras francesas e criando uma nova família de instrumentos, o denominado ‘cristal Baschet’ e a incorporação da música como um elemento de integração social. As estruturas sonoras que apresentamos agora, o Instrumentarium pedagógico Baschet, foram inventadas em 1975 em Paris, construídos a partir de materiais menos usuais nos instrumentos musicais comuns, como o aço, a fibra de vidro e o vidro, e no entanto inteiramente acústicos. O Instrumentarium Baschet é um conjunto de 14 estruturas sonoras de percussão, corda e cristal, obtido a partir da aplicação de um novo princípio acústico descoberto pelos irmãos Bernard et François Baschet nos anos 70 do século XX. Os irmãos Baschet, escultores de sons, foram pioneiros com as suas esculturas sonoras em dar ao público livro acesso às suas obras expostas em museus (com a rubrica ‘É proibido não tocar’). As instituições, impressionadas pela participação das crianças durante as suas exposições no Norte da Europa, pediram aos irmãos Baschet para estudarem a criação de modelos para o despertar musical. 
“É a experiência que nos conduziu a esta criação,”disse Bernard Baschet, “e particularmente o facto de termos trabalhado nos anos 70 em Nova York, num programa ‘Aprender a ler através das artes’, patrocinado pela Fundação Museu Guggenheim. Este programa piloto foi destinado à reinserção de jovens da comunidade afro-americana e de outras minorias. Os modelos não se fixaram a não ser depois de quase dez anos de prática, e, para lá chegar, nós mesmos trabalhámos com milhares de crianças de diferentes países.”
De volta a Paris, e encorajados por esta experiência, conceberam em 1975 um programa pedagógico original com um material acessível às crianças, baseado essencialmente sobre os sons complexos, quer dizer, sem nota definida. O Instrumentarium de 14 estruturas oferece uma paleta de sons que, sem conhecimento prévio do solfejo, se podem conjugar, como na pintura abstracta se compõe com as cores.

EU virgula TU

Ora aqui está uma boa ideia que partilho convosco. Já imaginaram um ateliê de desenho e azulejo a entrar pela vossa casa e a instalar-se na mesa da cozinha? Pois a Teresa Barreto criou o EU virgula TU para  pessoas com mobilidade reduzida e necessidades educativas especiais: a Arte vai a casa!
Perguntem-lhe como funciona: teresabarreto_3@hotmail.com