sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Pequenos passos para a escola inclusiva
Quero dar-vos conta de um desafio que tenho abraçado ao longo deste ano letivo no agrupamento de escolas de Rio de Mouro, dando apoio a duas unidades de ensino especial, por iniciativa da divisão de educação da câmara de Sintra. Na EB 1/JI de Rio de Mouro n.º 1 estou a colaborar com a unidade de ensino especial, onde acompanho um grupo de crianças com diferentes problemáticas, trabalhando com eles sobretudo a comunicação potenciada pela relação, lançando mão de diferentes recursos de mediação. É uma boa equipa de assistentes operacionais e professores…às vezes acho que não tenho nada para ensinar neste trabalho... tenho aprendido bastante. Quando se trabalha com autismo os resultados não são visíveis imediatamente; o ritmo é pausado, paciente e a atitude persistente.Na EB 1/JI de Rio de Mouro n.º 2, escola de referência para crianças invisuais e de baixa visão, estamos a desenvolver um trabalho de integração com quatro turmas, juntando todas as crianças em grandes caçadas às texturas (“Caça-texturas”) partilhando a perceção do mundo nos seus diferentes modos de ver, tocando com os olhos e com as mãos. Um menino que não vê que imagem das coisas faz dentro da cabeça? O que é desenhar com as palavras? Quer dizer que, quando passo com o lápis de cera deitado no chão, é como se tivesse a passar a palma da mão? Há coisas que estão escondidas dos olhos...só os meninos que não vêm as conseguem ver com as mãos? São tantas as perguntas que fazemos para entender melhor o Outro...Tem sido muito interessante ver o entusiasmo das crianças descobrindo detalhes texturados escondidos ao primeiro olhar: pois existe uma diferença entre olhar e ver…
sábado, 22 de dezembro de 2012
Sussurrando em Rio de Mouro
Fotografia de Sofia Maul
Como bem sabem
todos aqueles que trabalham com autismo, quase todos os dias temos de inventar
um recurso novo para trabalhar a comunicação e a participação destas crianças
tão especiais. A par das atividades regulares próprias da sala de ensino
especial é importante criar uma novidade que permita abrir novos caminhos. Na
unidade da escola básica de Rio de Mouro (Sintra), onde venho trabalhando com
estes meninos, começámos a usar os sussurradores para propor a comunicação da
palavra, interagindo primeiro com o técnico e depois com os outros colegas. Uma
ferramenta simples que já usava com adultos para dizer poemas e contar pequenas
histórias. Afinal, apenas um tubinho de cartão (neste caso tem de ser pequeno para não intimidar) decorado pelas crianças. Parece que está a funcionar este nosso objeto de comunicação…domingo, 2 de dezembro de 2012
MUSEU ABERTO: Mediar públicos com necessidades educativas especiais
Foto de Fernando Resendes
Curso de formação pedagógicaDesde 2006, com o programa de oficinas “Museu Aberto”, o Setor Educativo do Centro de Arte Moderna tem vindo a desenvolver um trabalho importante e continuado com populações portadoras de deficiência e/ou doença mental, numa lógica de trabalho que pretende alargar acessibilidades, promover o museu enquanto espaço inclusivo e reforçar a ideia de uma educação artística como parte integrante da formação completa de qualquer indivíduo – um princípio que se prende com o direito de cidadania.
Ao longo destes seis anos, o Setor Educativo do Centro de Arte Moderna tem assim desenvolvido trabalho com públicos muito diferenciados nas necessidades, desafios e exigências, e tem planificado e realizado um conjunto de oficinas criativas especializadas e diversificadas.
Estas oficinas, que partem da coleção e das exposições para descobertas e conquistas pessoais destes visitantes, complementando a experiência museológica com um trabalho oficinal, têm demonstrado que a capacidade questionadora da produção artística atual gera neste público respostas interiores e uma comunicação com evidentes reflexos terapêuticos e capacitadores de uma cidadania mais plena.
Este curso de cariz teórico-prático pretende apresentar, discutir e explorar algumas das estratégias e metodologias seguidas pela equipa de necessidades educativas especiais do CAM, estimulando os formandos a partilhar saberes, a adquirir ou diversificar ferramentas para uma melhor caracterização e um melhor conhecimento destes visitantes, a abordar diferentes metodologias de intervenção, a experimentar alguns exercícios de oficina, e a esboçar propostas de trabalho com estas populações.
Uma formação dirigida a professores, terapeutas, mediadores culturais e a todos os educadores que trabalhem ou pretendam vir a trabalhar com estes públicos.
Coordenação
Marta Vidal
Conceção e orientação
Margarida Vieira, Miguel Horta
O curso realiza-se nos dias 16, 23 e 24 de fevereiro de 2013. No sábado das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30m. No domingo das 10h00 às 13h00 (com a duração total de 15h). O bilhete da primeira sessão é válido para os dois dias e meio do curso.
O curso está creditado para os docentes do Ensino Especial dos grupos de docência 910, 920 e 930 de qualquer grau de ensino - 0,6 créditos - ao abrigo do protocolo com os Centros de Formação de Escolas António Sérgio, de Lisboa e Centro-Oeste, das Caldas da Rainha. Para estes casos, o curso requer inscrição prévia para o número de telefone 217 823 476 ou para o email descobrir@gulbenkian.pt. Quem não desejar creditação pode adquirir os bilhetes nas bilheteiras da Fundação ou pelo telefone 217 823 700
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Lalique com as famílias
“Sábados Lalique”: Uma oficina para famílias
diferentes. Pois eu gostei bastante do ambiente e dos trabalhos produzidos a
partir das obras de René Lalique. Pais e filhos, irmãos, toda a gente produziu
a sua obra de arte, experimentando materiais diversos, ao longo da manhã de
sábado no Centro de Arte Moderna.
domingo, 18 de novembro de 2012
A minha paisagem
William Turner - "Naufrágio de um cargueiro" (col. Museu Gulbenkian)
Para além das oficinas em duas sessões que o programa
Descobrir apresenta, existe também uma visita de 60 minutos dedicada a
públicos com necessidades educativas especiais orientada pela nossa colega
Rosário Azevedo (Museu Gulbenkian): “A minha paisagem”.
Temos aproveitado a presença da exposição “As idades do Mar”
patente no edifício sede da Fundação bem como a coleção permanente do museu. As
imagens que apresentamos falam por si… A não perder! Para marcações falar com a
Margarida Vieira (CAM): 217823491
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Comunicar
Esta semana, no
Centro de Arte Moderna (programa Descobrir) temos trabalhado com crianças com
deficiência profunda. O Instrumentarium Baschet tem sido o veículo pedagógico
para vivenciar o som. Mas acima de tudo é de comunicação que se trata; tarefa
persistente em que todo o nosso corpo se constitui ferramenta. O mediador
promove o contacto com as esculturas sonoras ao mesmo tempo que estabelece a
comunicação com aquelas crianças aprisionadas num corpo discordante, pequenas
pessoas habitando um lugar longínquo que tentamos alcançar. Melhoramos o
ambiente da nossa sala de ensaios para este momento: reduzimos as luzes e estendemos
um tapete confortável, criamos o lugar para esta comunicação. O “Baschet” vai
soando espaçadamente, em harmonia tocado por técnicos, monitores e um menino
mais autónomo. É um combate genuíno pelo outro, frágil e distante. Tocar, fazer
com que a criança sinta a vibração na mão ou na bochecha que esconde um maxilar
que ressoa a cada variação sonora. Ir conversando reconhecendo sinais discretos
de concordância ou de agrado enquanto manuseamos o instrumento. Ir falando
sempre, olhos nos olhos, reconhecendo um piscar de olho ou um gesto ou esgar
com significado. Intenso e verdadeiro. No final retiramos os meninos das
cadeiras de rodas, deitando-os delicadamente sobre o tapete: tocamos para eles
com suavidade. Quando a música para uma menina sem aparente comunicação começa
a soltar um canto gutural, como um lamento, outros dois meninos começam a
“cantar” também com as suas vocalizações. Ficamos ali em silêncio olhando o
canto daquelas crianças. A sessão correu bem. Dentro de mim cresce uma comoção
calma que me acompanha até chegar ao ateliê.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Programar para a diversidade
O Programa Descobrir esteve presente no Seminário do GAM (Grupo para a acessibilidade dos museus) numa comunicação feita por Margarida Vieira e Miguel Horta. Foi um dia proveitoso e definidor. é importante partilhar o conhecimento com os colegas de outros museus. aqui fica o texto que definiu a ordem dos trabalhos no Seixal:
"Num mundo cheio de oportunidades, mas também com muita
exclusão social, programar para TODOS e criar espaço para a interação de TODOS,
deve ser uma das grandes preocupações da programação dos museus. Neste seminário
falaremos sobre legislação e a sua importância na criação de acessibilidades e
em pontes de comunicação, que nos podem levar ao encontro de uma maior
diversidade de públicos. A forma como se pode fazer fluir a comunicação entre os
diferentes públicos, tendo como pretexto as coleções e acervos dos museus.
Criando um formato um pouco diferente dos anteriores
seminários, com a introdução de uma mesa redonda, queremos ir mais longe,
ouvindo as opiniões de todos os interessados sobre a programação que temos
disponível e aquela que gostaríamos de ter, a que nos faz falta e a que pode
preenche as nossas necessidades. Opiniões que queremos registar à guisa de
recomendações e que divulgaremos amplamente, na expetativa de que sejam um
auxiliar válido na tarefa de programar. Teremos exemplos de boas práticas em
museus em Espanha e Portugal e abriremos a porta a outras programações
artísticas, que muito enriquecem o panorama cultural e educativo do nosso
país."
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