terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A possibilidade do Desenho

A cadela Fiona entra na sala. Os meninos e meninas afagam o meigo animal, comunicam com ela. Entre estas crianças, Armindo. Ele demora mais tempo nas festas que faz à bichinha: é cego, de nascença. Percorre com atenção lendo com os dedos e a palma da mão todos os detalhes do simpático animal. Demora-se um pouco mais nas unhas, tão diferentes das nossas; servem para escavar e são duras, resistentes. Sobe um pouco mais no pelo morno, sente a massa muscular das coxas, completa a ideia do volume. Na cabeça fica atento a todos os detalhes, tocando, …. A cadelinha não se queixa. Armindo vai criando dentro dele a imagem do canídeo. Elisa Gaspar, a professora, pede-lhe para fazer um desenho do que sentiu, viu. E é espantoso como aquele menino invisual vai desenhando a lápis sobre papel cebola (onde o traço fica registado um sulco táctil) a imagem que apreendeu da cadela, projetada no mesmo córtex dos meninos sem limitações.
Não consigo evitar todas as perguntas que venho fazendo sobre o Desenho que para mim, para além de traço e sombra é também sulco táctil, memória de matéria; o Desenho para além do rasto do pó da grafite ou do pigmento depositado. Falo da possibilidade e alcance do Desenho, dessa característica que o faz transcender os limites do suporte e da ferramenta, devendo a existência primeira à sua natureza conceptual que risca no cérebro uma direção, uma intenção.
Esta minha presença nas escolas, junto das unidades de ensino especial, tem-me feito crescer. E por terra vão ficando uma boa mão cheia de preconceitos, de braço dado com uma série de interrogações.
EB Rio de Mouro – unidade de referência -2013http://miguel-horta.blogspot.pt/

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Programa do curso: Mediar públicos com necessidades educativas especiiais

Na origem deste curso que agora apresentamos, está a prática desenvolvida ao longo dos últimos anos pela equipa do Descobrir –Programa Gulbenkian Educação para a Cultura e Ciência responsável pelas propostas dedicadas aos públicos com necessidades educativas especiais. Um conceito transversal aos diferentes espaços museológicos e produções artísticas na Fundação Calouste Gulbenkian. Se é certo que esta prática de mediação nasce no interior de um Museu, ela acaba por interessar à escola e a outros agentes educativos. A educação artística, pela sua génese, contribui para a construção de outros caminhos na escola curricular, propondo formas de aprendizagem não formal em terrenos aparentemente formatados. Ao longo de 15 horas de formação certificada lançaremos o debate sobre a caracterização deste público específico, partilhando a experiência das diferentes oficinas do Descobrir, da música aos diversos espaços museológicos da Fundação Calouste Gulbenkian. Refletiremos sobre o perfil do monitor/educador de públicos com necessidades educativas especiais. Será dada uma atenção especial ao trabalho atual da escola pública nas suas unidades de ensino especial. Por fim, porque este curso tem um carácter muito prático, lançaremos o desafio para a criação de propostas específicas nos lugares educativos de origem dos formandos.
Com os olhos postos na escola
A escola pública viu-se obrigada a dar resposta a um universo cada vez mais vasto de solicitações educativas especiais. As unidades de ensino especial vão desenvolvendo o seu trabalho numa aparente sensação de isolamento; a interdisciplinaridade do trabalho artístico permite propor outras práticas na escola, ousando a mudança. Com a criação de agrupamentos escolares maiores, os profissionais de educação são cada vez mais confrontados com a presença de alunos com necessidades educativas especiais sem que as unidades de ensino especial tenham capacidade de formar docentes de forma efetiva no interior da escola de forma a dar resposta às solicitações emergentes. A variedade de situações em contexto educativo obriga a uma resposta imaginativa e assertiva na abordagem do processo educativo.
Aqui se insere a nossa proposta, apresentando um outro ponto de vista, numa abordagem não formal do processo educativo. Ainda, a convicção de que a relaçãoEscola –Museu traz benefícios mútuos, quer para os agentes educativos, quer para os educandos, num universo de propostas e partilhas fundamentais no mundo contemporâneo.Uma proposta transversal
Desde 2006, que o Setor Educativo do Centro de Arte Moderna tem vindo a desenvolver um trabalho importante e continuado com populações portadoras de deficiência e/ou doença mental, numa lógica que pretende alargar acessibilidades, promover o museu enquanto espaço inclusivo e reforçar a ideia de uma educação artística como parte integrante da formação completa de qualquer indivíduo -um princípio que se prende com o direito de cidadania.
Assim, ao longo destes anos tem sido desenvolvido um trabalho regular com públicos muito diferenciados nas necessidades, desafios e exigências, planificando e realizando um conjunto de oficinas criativas especializadas e diversificadas. Estas oficinas que partem da coleção e exposições para descobertas e conquistas pessoais destes visitantes complementam a experiência museológica com um trabalho oficinal. A capacidade questionadora da produção artística atual gera neste público respostas interiores e uma comunicação com evidentes reflexos terapêuticos. Agora, este conceito de origem foi alargado através do programa Descobrir, numa proposta transversal a todos os núcleos pedagógicos e artísticos existentes na Fundação Calouste Gulbenkian, organizados em quatro linhas de orientação oCorpo, o Rosto, oTacto e a Paisagem que nos envolve - para maior assertividade na resposta a quem nos procura. Estes quatro grandes núcleos contêm diferentes propostas pedagógicas, desenvolvendo-se no Museu Calouste Gulbenkian, Centro de Arte Moderna e Serviço de Música em visitas e oficinas de educação artística, cruzando diferentes linguagens e materiais numa prática estimulante e especializada. Espaços de criatividade e fruição em diálogo constante com a produção dos artistas presentes na Fundação.
Oficinas

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Pequenos passos para a escola inclusiva

Quero dar-vos conta de um desafio que tenho abraçado ao longo deste ano letivo no agrupamento de escolas de Rio de Mouro, dando apoio a duas unidades de ensino especial, por iniciativa da divisão de educação da câmara de Sintra. Na EB 1/JI de Rio de Mouro n.º 1 estou a colaborar com a unidade de ensino especial, onde acompanho um grupo de crianças com diferentes problemáticas, trabalhando com eles sobretudo a comunicação potenciada pela relação, lançando mão de diferentes recursos de mediação. É uma boa equipa de assistentes operacionais e professores…às vezes acho que não tenho nada para ensinar neste trabalho... tenho aprendido bastante. Quando se trabalha com autismo os resultados não são visíveis imediatamente; o ritmo é pausado, paciente e a atitude persistente.Na EB 1/JI de Rio de Mouro n.º 2, escola de referência para crianças invisuais e de baixa visão, estamos a desenvolver um trabalho de integração com quatro turmas, juntando todas as crianças em grandes caçadas às texturas (“Caça-texturas”) partilhando a perceção do mundo nos seus diferentes modos de ver, tocando com os olhos e com as mãos. Um menino que não vê que imagem das coisas faz dentro da cabeça? O que é desenhar com as palavras? Quer dizer que, quando passo com o lápis de cera deitado no chão, é como se tivesse a passar a palma da mão? Há coisas que estão escondidas dos olhos...só os meninos que não vêm as conseguem ver com as mãos? São tantas as perguntas que fazemos para entender melhor o Outro...Tem sido muito interessante ver o entusiasmo das crianças descobrindo detalhes texturados escondidos ao primeiro olhar: pois existe uma diferença entre olhar e ver…

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sussurrando em Rio de Mouro

Fotografia de Sofia Maul
Como bem sabem todos aqueles que trabalham com autismo, quase todos os dias temos de inventar um recurso novo para trabalhar a comunicação e a participação destas crianças tão especiais. A par das atividades regulares próprias da sala de ensino especial é importante criar uma novidade que permita abrir novos caminhos. Na unidade da escola básica de Rio de Mouro (Sintra), onde venho trabalhando com estes meninos, começámos a usar os sussurradores para propor a comunicação da palavra, interagindo primeiro com o técnico e depois com os outros colegas. Uma ferramenta simples que já usava com adultos para dizer poemas e contar pequenas histórias. Afinal, apenas um tubinho de cartão (neste caso tem de ser pequeno para não intimidar) decorado pelas crianças. Parece que está a funcionar este nosso objeto de comunicação…

domingo, 2 de dezembro de 2012

MUSEU ABERTO: Mediar públicos com necessidades educativas especiais

Foto de Fernando Resendes
Curso de formação pedagógica
Desde 2006, com o programa de oficinas “Museu Aberto”, o Setor Educativo do Centro de Arte Moderna tem vindo a desenvolver um trabalho importante e continuado com populações portadoras de deficiência e/ou doença mental, numa lógica de trabalho que pretende alargar acessibilidades, promover o museu enquanto espaço inclusivo e reforçar a ideia de uma educação artística como parte integrante da formação completa de qualquer indivíduo – um princípio que se prende com o direito de cidadania.
Ao longo destes seis anos, o Setor Educativo do Centro de Arte Moderna tem assim desenvolvido trabalho com públicos muito diferenciados nas necessidades, desafios e exigências, e tem planificado e realizado um conjunto de oficinas criativas especializadas e diversificadas.
Estas oficinas, que partem da coleção e das exposições para descobertas e conquistas pessoais destes visitantes, complementando a experiência museológica com um trabalho oficinal, têm demonstrado que a capacidade questionadora da produção artística atual gera neste público respostas interiores e uma comunicação com evidentes reflexos terapêuticos e capacitadores de uma cidadania mais plena.
Este curso de cariz teórico-prático pretende apresentar, discutir e explorar algumas das estratégias e metodologias seguidas pela equipa de necessidades educativas especiais do CAM, estimulando os formandos a partilhar saberes, a adquirir ou diversificar ferramentas para uma melhor caracterização e um melhor conhecimento destes visitantes, a abordar diferentes metodologias de intervenção, a experimentar alguns exercícios de oficina, e a esboçar propostas de trabalho com estas populações.
Uma formação dirigida a professores, terapeutas, mediadores culturais e a todos os educadores que trabalhem ou pretendam vir a trabalhar com estes públicos.
Coordenação
Marta Vidal
Conceção e orientação
Margarida Vieira, Miguel Horta

O curso realiza-se nos dias 16, 23 e 24 de fevereiro de 2013. No sábado das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30m. No domingo das 10h00 às 13h00 (com a duração total de 15h). O bilhete da primeira sessão é válido para os dois dias e meio do curso.
O curso está creditado para os docentes do Ensino Especial dos grupos de docência 910, 920 e 930 de qualquer grau de ensino - 0,6 créditos - ao abrigo do protocolo com os Centros de Formação de Escolas António Sérgio, de Lisboa e Centro-Oeste, das Caldas da Rainha. Para estes casos, o curso requer inscrição prévia para o número de telefone 217 823 476 ou para o email descobrir@gulbenkian.pt. Quem não desejar creditação pode adquirir os bilhetes nas bilheteiras da Fundação ou pelo telefone 217 823 700

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Lalique com as famílias

Sábados Lalique”: Uma oficina para famílias diferentes. Pois eu gostei bastante do ambiente e dos trabalhos produzidos a partir das obras de René Lalique. Pais e filhos, irmãos, toda a gente produziu a sua obra de arte, experimentando materiais diversos, ao longo da manhã de sábado no Centro de Arte Moderna.

domingo, 18 de novembro de 2012

A minha paisagem

 William Turner - "Naufrágio de um cargueiro" (col. Museu Gulbenkian)
Para além das oficinas em duas sessões que o programa Descobrir apresenta, existe também uma visita de 60 minutos dedicada a públicos com necessidades educativas especiais orientada pela nossa colega Rosário Azevedo (Museu Gulbenkian): “A minha paisagem”.
Temos aproveitado a presença da exposição “As idades do Mar” patente no edifício sede da Fundação bem como a coleção permanente do museu. As imagens que apresentamos falam por si… A não perder! Para marcações falar com a Margarida Vieira (CAM): 217823491

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Comunicar


Esta semana, no Centro de Arte Moderna (programa Descobrir) temos trabalhado com crianças com deficiência profunda. O Instrumentarium Baschet tem sido o veículo pedagógico para vivenciar o som. Mas acima de tudo é de comunicação que se trata; tarefa persistente em que todo o nosso corpo se constitui ferramenta. O mediador promove o contacto com as esculturas sonoras ao mesmo tempo que estabelece a comunicação com aquelas crianças aprisionadas num corpo discordante, pequenas pessoas habitando um lugar longínquo que tentamos alcançar. Melhoramos o ambiente da nossa sala de ensaios para este momento: reduzimos as luzes e estendemos um tapete confortável, criamos o lugar para esta comunicação. O “Baschet” vai soando espaçadamente, em harmonia tocado por técnicos, monitores e um menino mais autónomo. É um combate genuíno pelo outro, frágil e distante. Tocar, fazer com que a criança sinta a vibração na mão ou na bochecha que esconde um maxilar que ressoa a cada variação sonora. Ir conversando reconhecendo sinais discretos de concordância ou de agrado enquanto manuseamos o instrumento. Ir falando sempre, olhos nos olhos, reconhecendo um piscar de olho ou um gesto ou esgar com significado. Intenso e verdadeiro. No final retiramos os meninos das cadeiras de rodas, deitando-os delicadamente sobre o tapete: tocamos para eles com suavidade. Quando a música para uma menina sem aparente comunicação começa a soltar um canto gutural, como um lamento, outros dois meninos começam a “cantar” também com as suas vocalizações. Ficamos ali em silêncio olhando o canto daquelas crianças. A sessão correu bem. Dentro de mim cresce uma comoção calma que me acompanha até chegar ao ateliê.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Programar para a diversidade

O Programa Descobrir esteve presente no Seminário do GAM (Grupo para a acessibilidade dos museus) numa comunicação feita por Margarida Vieira e Miguel Horta. Foi um dia proveitoso e definidor. é importante partilhar o conhecimento com os colegas de outros museus. aqui fica o texto que definiu a ordem dos trabalhos no Seixal:
 
"Num mundo cheio de oportunidades, mas também com muita exclusão social, programar para TODOS e criar espaço para a interação de TODOS, deve ser uma das grandes preocupações da programação dos museus. Neste seminário falaremos sobre legislação e a sua importância na criação de acessibilidades e em pontes de comunicação, que nos podem levar ao encontro de uma maior diversidade de públicos. A forma como se pode fazer fluir a comunicação entre os diferentes públicos, tendo como pretexto as coleções e acervos dos museus.
Criando um formato um pouco diferente dos anteriores seminários, com a introdução de uma mesa redonda, queremos ir mais longe, ouvindo as opiniões de todos os interessados sobre a programação que temos disponível e aquela que gostaríamos de ter, a que nos faz falta e a que pode preenche as nossas necessidades. Opiniões que queremos registar à guisa de recomendações e que divulgaremos amplamente, na expetativa de que sejam um auxiliar válido na tarefa de programar. Teremos exemplos de boas práticas em museus em Espanha e Portugal e abriremos a porta a outras programações artísticas, que muito enriquecem o panorama cultural e educativo do nosso país."

segunda-feira, 8 de outubro de 2012


Ainda há vagas para a oficina “Sábado sou som” dedicada às famílias especiais. Sábados, 20 e 27 de Outubro. A não perder esta novidade do programa DESCOBRIR.
“Oficina onde se propõe o convívio com a expressão sonora como forma de comunicação e afirmação da identidade. Jogos e conversas musicais, perceção do espaço e grafismo, com recurso ao Instrumentarium Baschet. É nossa intenção criar um espaço onde a família possa fruir descontraidamente da oferta do serviço de música e interagir com outras famílias com o mesmo tipo de problemática, trocando experiências e aliviando tensões.” Contacto: Margarida Vieira (CAM): 217823491

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Necessidades educativas especiais: Oficinas para famílias


O programa Descobrir apresenta este ano uma conjunto de novidades nas suas oficinas, cruzando os diversos espaços da Fundação Calouste Gulbenkian. Oficinas dedicadas à família alargada que se desenvolvem em duas sessões aos sábados de manhã. Propomos que conheçam o Instrumentarium Baschet ( “Sábado sou Som”) e o Lab Móvel (“Sábado som móvel” -recursos digitais) ateliês onde se trabalha o espaço e a sonoridade individual.
Também uma oficina a realizar no Museu Calouste Gulbenkian em torno da obra de René Lalique promete entusiasmar os nossos jovens especiais (“Sábados Lalique”)
“Sábados som móvel”
Oficina onde se propõe o convívio com a expressão sonora como forma de comunicação e afirmação da identidade. Jogos e conversas musicais, perceção do espaço e grafismo. Com recurso ao LabMóvel. Nestes Sábados exploraremos as potencialidades da oferta do serviço de música, pegando em peças da Orquestra Gulbenkian e outras fontes musicais e propondo a experimentação contemporânea e lúdica do som. Um espaço de fruição da criação sonora dedicado à família alargada.
"Sábado sou som”
Oficina onde se propõe o convívio com a expressão sonora como forma de comunicação e afirmação da identidade. Jogos e conversas musicais, perceção do espaço e grafismo, com recurso ao Instrumentarium Baschet. É nossa intenção criar um espaço onde a família possa fruir descontraidamente da oferta do serviço de música e interagir com outras famílias com o mesmo tipo de problemática, trocando experiências e aliviando tensões.
“Sábados Lalique”
Visita-oficina ao Museu Calouste Gulbenkian tendo como tema central a coleção René Lalique. Partiremos das peças de ourivesaria ao encontro da natureza através do desenho. Concluiremos a vivência no Museu com uma oficina de ourivesaria “faz de conta” utilizando diferentes recursos. O desenho como meio de registo do apreendido e a “ourivesaria” em papel e outros materiais como forma de desenvolvimento da motricidade fina através da expressão plástica.

Para marcar, ligar diretamente para Margarida Vieira (CAM): 217823491

domingo, 23 de setembro de 2012

Programa Descobrir (Fundação Calouste Gulbenkian) - Instrumentarium Baschet

Eu sou som é uma das oficinas que apresentamos este ano para o público com necessidades educativas especiais (programa Descobrir) utilizando dois recursos pedagógicos da Fundação Calouste Gulbenkian: O Lab Móvel e o Instrumentárium Baschet. É sobre este último que vos iremos falar um pouco através de um texto de Lídia Robertson que desde sempre tem utilizado este conjunto de esculturas sonoras.
Desde os anos 50 do século passado, Bernard et François Baschet, um escultor e outro engenheiro, começaram a estudar as possibilidades do som. Fruto do seu trabalho são as esculturas sonoras, e um projecto que se desenvolveu no último meio século atravessando as fronteiras francesas e criando uma nova família de instrumentos, o denominado ‘cristal Baschet’ e a incorporação da música como um elemento de integração social. As estruturas sonoras que apresentamos agora, o Instrumentarium pedagógico Baschet, foram inventadas em 1975 em Paris, construídos a partir de materiais menos usuais nos instrumentos musicais comuns, como o aço, a fibra de vidro e o vidro, e no entanto inteiramente acústicos. O Instrumentarium Baschet é um conjunto de 14 estruturas sonoras de percussão, corda e cristal, obtido a partir da aplicação de um novo princípio acústico descoberto pelos irmãos Bernard et François Baschet nos anos 70 do século XX. Os irmãos Baschet, escultores de sons, foram pioneiros com as suas esculturas sonoras em dar ao público livro acesso às suas obras expostas em museus (com a rubrica ‘É proibido não tocar’). As instituições, impressionadas pela participação das crianças durante as suas exposições no Norte da Europa, pediram aos irmãos Baschet para estudarem a criação de modelos para o despertar musical. 
“É a experiência que nos conduziu a esta criação,”disse Bernard Baschet, “e particularmente o facto de termos trabalhado nos anos 70 em Nova York, num programa ‘Aprender a ler através das artes’, patrocinado pela Fundação Museu Guggenheim. Este programa piloto foi destinado à reinserção de jovens da comunidade afro-americana e de outras minorias. Os modelos não se fixaram a não ser depois de quase dez anos de prática, e, para lá chegar, nós mesmos trabalhámos com milhares de crianças de diferentes países.”
De volta a Paris, e encorajados por esta experiência, conceberam em 1975 um programa pedagógico original com um material acessível às crianças, baseado essencialmente sobre os sons complexos, quer dizer, sem nota definida. O Instrumentarium de 14 estruturas oferece uma paleta de sons que, sem conhecimento prévio do solfejo, se podem conjugar, como na pintura abstracta se compõe com as cores.

EU virgula TU

Ora aqui está uma boa ideia que partilho convosco. Já imaginaram um ateliê de desenho e azulejo a entrar pela vossa casa e a instalar-se na mesa da cozinha? Pois a Teresa Barreto criou o EU virgula TU para  pessoas com mobilidade reduzida e necessidades educativas especiais: a Arte vai a casa!
Perguntem-lhe como funciona: teresabarreto_3@hotmail.com

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Novo programa DESCOBRIR/Gulbenkian: Necessidades educativas especiais - escolas e Instituições

O programa DESCOBRIR apresenta a nova programação, recheada de novidades, dedicada a públicos com necessidades educativas especiais que nos chegam vindos de escolas e instituições. Foi nossa preocupação criar uma proposta transversal a todos os núcleos pedagógicos e artísticos existentes na Fundação Calouste Gulbenkian, organizados em quatro linhas de orientação – O CORPO, O ROSTO, O TACTO e a PAISAGEM que nos envolve - para maior assertividade na resposta a quem nos procura. Estes quatro grandes núcleos contêm diferentes propostas pedagógicas, desenvolvendo-se no Museu Calouste Gulbenkian, Centro de Arte Moderna e Serviço de Música em visitas e oficinas de educação artística, cruzando diferentes linguagens e materiais numa prática estimulante e especializada. Espaços de criatividade e fruição em diálogo constante com a produção dos artistas presentes na Fundação.
Programação específica nas páginas 75 a 77 em:
http://www.gulbenkian.pt/media/files/FTP_files/Descobrir/Descobrir-Novo12_13/index.html#/76/

domingo, 13 de maio de 2012

O que há de novo na Síndrome de Asperger?

A APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger, em colaboração com a Federacion Asperger España,  realizará nos dias 24, 25 e 26 de Maio de 2012, no Auditório da Boa Nova, Centro Paroquial do Estoril, o  III Congresso Internacional da Síndrome de Asperger. Este Congresso tem como principal objetivo ser um espaço de atualização e debate sobre o que se tem feito e que estudos clínicos recentes existem, abrindo espaço para refletir sobre o futuro. Contará com a presença do Professor Tony Attwood, especialista internacional em Síndrome de Asperger, Dr. Nuno Lobo Antunes e Professor Carlos Filipe entre outros. Este Congresso é dirigido a todos os que direta ou indiretamente se relacionam com pessoas com Síndrome de Asperger e que pretendam adquirir ferramentas e estratégias de modo a contribuir para uma integração plena na sociedade, proporcionando-lhes uma vida mais digna.Para saber mais e inscrições : www.apsa.org.pt/congresso Qualquer esclarecimento adicional contate-nos através de: congresso@apsa.org.pt

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Falta uma semana para o curso no Centro de Arte Moderna...

Margarida Vieira
trabalhando a noção de retrato
 no Centro de Arte Moderna

“Mediar públicos com necessidades educativas especiais”
Muito para além das acessibilidades físicas, o acesso aos conteúdos educativos dos Museus. Que público estranho é este, que me é tão familiar? Como tornar realidade um conceito de cidadania cultural? Como estruturar atividades? Qual o perfil ideal para o mediador de públicos com necessidades educativas especiais? Ao longo de dois dias, procuraremos responder a estas e outras perguntas, ao mesmo tempo que partilharemos a experiência de 6 anos das “Oficinas Museu Aberto” do Centro de Arte Moderna (Fundação Calouste Gulbenkian)
http://descobrir.gulbenkian.pt/index.php?article=4694&visual=2&area=3

terça-feira, 17 de abril de 2012

Primavera!

Não resisto a partilhar convosco o resultado da nossa oficina no Centro de Arte Moderna, “Fora de nós, o Mundo” com os meninos da Unidade de Multideficiência do Barreiro. Para celebrar a primavera escolhemos a obra de Beatriz Milhazes, partindo em busca das estações do ano, acabando por nos perder num belo canteiro de flores…

sábado, 14 de abril de 2012

Cata Livros: Um sitio de promoção do livro e da leitura muito útil na nossa área de trabalho

Esta semana tivemos a possibilidade de experimentar as potencialidades do sítio CATA LIVROS (Fundação Calouste Gulbenkian) junto dos nossos alunos da unidade de ensino especial da EB 2.3 de Massamá. Aderiram bastante bem às diversas funcionalidades especialmente o “Folhear” e “Em voz alta”. Também o “Irrequieto” chamou a atenção por ser uma forma de motivar para a leitura do livro, através de uma curta animação. Os dois livros abordados nesta sessão de apresentação invulgar foram o “Cuquedo” (Clara Cunha e Paulo Galindro) e “Se os bichos se vestissem como gente” da nossa querida Luísa Ducla Soares (com ilustrações da Teresa Lima), este último arrancou muitas gargalhadas. Depois, com base no livro da Luísa Ducla Soares partimos para os jogos, tendo sido eleito o “Comboio de palavras” como o jogo a explorar. Concluímos que estes alunos conseguem jogar bem o conjunto de propostas apresentadas, variando só no nível, consoante as dificuldades de cada um.
Os nossos amigos especiais de Massamá ficaram de responder a um “desafio” proposto pelo sítio. E o leitor…conhece o CATA LIVROS?
O CATA LIVROS também possui um BLOGUE