domingo, 19 de maio de 2013

Intervenção em Fitares

 
Neste final de ano letivo, iniciei a minha colaboração com o Agrupamento de Escolas de Fitares (Sintra) dando apoio às ações desenvolvidas com os alunos das Necessidades Educativas Especiais. Trata-se de uma iniciativa proposta pela divisão de educação da Câmara de Sintra, já no seu segundo ano de aplicação. Ao longo deste ano tenho trabalhado com as escolas de Rio de Mouro (unidade de ensino especial e escola de referência). Aos poucos vou-me entrosando com as equipas e, em conjunto definimos as propostas expressivas a desenvolver na escola, sempre numa perspetiva de integração. Esta colaboração nasceu a partir da ida às visitas/oficina do programa Descobrir e pretende desenvolver novas soluções criativas no interior da escola. Outras referências ao trabalho:http://miguel-horta.blogspot.pt/2013/01/rio-de-mouro-na-ponta-dos-dedos.html
http://miguel-horta.blogspot.pt/2012/03/oficinas-criativas-na-escola-professor.html

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A possibilidade do Desenho

A cadela Fiona entra na sala. Os meninos e meninas afagam o meigo animal, comunicam com ela. Entre estas crianças, Armindo. Ele demora mais tempo nas festas que faz à bichinha: é cego, de nascença. Percorre com atenção lendo com os dedos e a palma da mão todos os detalhes do simpático animal. Demora-se um pouco mais nas unhas, tão diferentes das nossas; servem para escavar e são duras, resistentes. Sobe um pouco mais no pelo morno, sente a massa muscular das coxas, completa a ideia do volume. Na cabeça fica atento a todos os detalhes, tocando, …. A cadelinha não se queixa. Armindo vai criando dentro dele a imagem do canídeo. Elisa Gaspar, a professora, pede-lhe para fazer um desenho do que sentiu, viu. E é espantoso como aquele menino invisual vai desenhando a lápis sobre papel cebola (onde o traço fica registado um sulco táctil) a imagem que apreendeu da cadela, projetada no mesmo córtex dos meninos sem limitações.
Não consigo evitar todas as perguntas que venho fazendo sobre o Desenho que para mim, para além de traço e sombra é também sulco táctil, memória de matéria; o Desenho para além do rasto do pó da grafite ou do pigmento depositado. Falo da possibilidade e alcance do Desenho, dessa característica que o faz transcender os limites do suporte e da ferramenta, devendo a existência primeira à sua natureza conceptual que risca no cérebro uma direção, uma intenção.
Esta minha presença nas escolas, junto das unidades de ensino especial, tem-me feito crescer. E por terra vão ficando uma boa mão cheia de preconceitos, de braço dado com uma série de interrogações.
EB Rio de Mouro – unidade de referência -2013http://miguel-horta.blogspot.pt/

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Programa do curso: Mediar públicos com necessidades educativas especiiais

Na origem deste curso que agora apresentamos, está a prática desenvolvida ao longo dos últimos anos pela equipa do Descobrir –Programa Gulbenkian Educação para a Cultura e Ciência responsável pelas propostas dedicadas aos públicos com necessidades educativas especiais. Um conceito transversal aos diferentes espaços museológicos e produções artísticas na Fundação Calouste Gulbenkian. Se é certo que esta prática de mediação nasce no interior de um Museu, ela acaba por interessar à escola e a outros agentes educativos. A educação artística, pela sua génese, contribui para a construção de outros caminhos na escola curricular, propondo formas de aprendizagem não formal em terrenos aparentemente formatados. Ao longo de 15 horas de formação certificada lançaremos o debate sobre a caracterização deste público específico, partilhando a experiência das diferentes oficinas do Descobrir, da música aos diversos espaços museológicos da Fundação Calouste Gulbenkian. Refletiremos sobre o perfil do monitor/educador de públicos com necessidades educativas especiais. Será dada uma atenção especial ao trabalho atual da escola pública nas suas unidades de ensino especial. Por fim, porque este curso tem um carácter muito prático, lançaremos o desafio para a criação de propostas específicas nos lugares educativos de origem dos formandos.
Com os olhos postos na escola
A escola pública viu-se obrigada a dar resposta a um universo cada vez mais vasto de solicitações educativas especiais. As unidades de ensino especial vão desenvolvendo o seu trabalho numa aparente sensação de isolamento; a interdisciplinaridade do trabalho artístico permite propor outras práticas na escola, ousando a mudança. Com a criação de agrupamentos escolares maiores, os profissionais de educação são cada vez mais confrontados com a presença de alunos com necessidades educativas especiais sem que as unidades de ensino especial tenham capacidade de formar docentes de forma efetiva no interior da escola de forma a dar resposta às solicitações emergentes. A variedade de situações em contexto educativo obriga a uma resposta imaginativa e assertiva na abordagem do processo educativo.
Aqui se insere a nossa proposta, apresentando um outro ponto de vista, numa abordagem não formal do processo educativo. Ainda, a convicção de que a relaçãoEscola –Museu traz benefícios mútuos, quer para os agentes educativos, quer para os educandos, num universo de propostas e partilhas fundamentais no mundo contemporâneo.Uma proposta transversal
Desde 2006, que o Setor Educativo do Centro de Arte Moderna tem vindo a desenvolver um trabalho importante e continuado com populações portadoras de deficiência e/ou doença mental, numa lógica que pretende alargar acessibilidades, promover o museu enquanto espaço inclusivo e reforçar a ideia de uma educação artística como parte integrante da formação completa de qualquer indivíduo -um princípio que se prende com o direito de cidadania.
Assim, ao longo destes anos tem sido desenvolvido um trabalho regular com públicos muito diferenciados nas necessidades, desafios e exigências, planificando e realizando um conjunto de oficinas criativas especializadas e diversificadas. Estas oficinas que partem da coleção e exposições para descobertas e conquistas pessoais destes visitantes complementam a experiência museológica com um trabalho oficinal. A capacidade questionadora da produção artística atual gera neste público respostas interiores e uma comunicação com evidentes reflexos terapêuticos. Agora, este conceito de origem foi alargado através do programa Descobrir, numa proposta transversal a todos os núcleos pedagógicos e artísticos existentes na Fundação Calouste Gulbenkian, organizados em quatro linhas de orientação oCorpo, o Rosto, oTacto e a Paisagem que nos envolve - para maior assertividade na resposta a quem nos procura. Estes quatro grandes núcleos contêm diferentes propostas pedagógicas, desenvolvendo-se no Museu Calouste Gulbenkian, Centro de Arte Moderna e Serviço de Música em visitas e oficinas de educação artística, cruzando diferentes linguagens e materiais numa prática estimulante e especializada. Espaços de criatividade e fruição em diálogo constante com a produção dos artistas presentes na Fundação.
Oficinas

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Pequenos passos para a escola inclusiva

Quero dar-vos conta de um desafio que tenho abraçado ao longo deste ano letivo no agrupamento de escolas de Rio de Mouro, dando apoio a duas unidades de ensino especial, por iniciativa da divisão de educação da câmara de Sintra. Na EB 1/JI de Rio de Mouro n.º 1 estou a colaborar com a unidade de ensino especial, onde acompanho um grupo de crianças com diferentes problemáticas, trabalhando com eles sobretudo a comunicação potenciada pela relação, lançando mão de diferentes recursos de mediação. É uma boa equipa de assistentes operacionais e professores…às vezes acho que não tenho nada para ensinar neste trabalho... tenho aprendido bastante. Quando se trabalha com autismo os resultados não são visíveis imediatamente; o ritmo é pausado, paciente e a atitude persistente.Na EB 1/JI de Rio de Mouro n.º 2, escola de referência para crianças invisuais e de baixa visão, estamos a desenvolver um trabalho de integração com quatro turmas, juntando todas as crianças em grandes caçadas às texturas (“Caça-texturas”) partilhando a perceção do mundo nos seus diferentes modos de ver, tocando com os olhos e com as mãos. Um menino que não vê que imagem das coisas faz dentro da cabeça? O que é desenhar com as palavras? Quer dizer que, quando passo com o lápis de cera deitado no chão, é como se tivesse a passar a palma da mão? Há coisas que estão escondidas dos olhos...só os meninos que não vêm as conseguem ver com as mãos? São tantas as perguntas que fazemos para entender melhor o Outro...Tem sido muito interessante ver o entusiasmo das crianças descobrindo detalhes texturados escondidos ao primeiro olhar: pois existe uma diferença entre olhar e ver…

sábado, 22 de dezembro de 2012

Sussurrando em Rio de Mouro

Fotografia de Sofia Maul
Como bem sabem todos aqueles que trabalham com autismo, quase todos os dias temos de inventar um recurso novo para trabalhar a comunicação e a participação destas crianças tão especiais. A par das atividades regulares próprias da sala de ensino especial é importante criar uma novidade que permita abrir novos caminhos. Na unidade da escola básica de Rio de Mouro (Sintra), onde venho trabalhando com estes meninos, começámos a usar os sussurradores para propor a comunicação da palavra, interagindo primeiro com o técnico e depois com os outros colegas. Uma ferramenta simples que já usava com adultos para dizer poemas e contar pequenas histórias. Afinal, apenas um tubinho de cartão (neste caso tem de ser pequeno para não intimidar) decorado pelas crianças. Parece que está a funcionar este nosso objeto de comunicação…

domingo, 2 de dezembro de 2012

MUSEU ABERTO: Mediar públicos com necessidades educativas especiais

Foto de Fernando Resendes
Curso de formação pedagógica
Desde 2006, com o programa de oficinas “Museu Aberto”, o Setor Educativo do Centro de Arte Moderna tem vindo a desenvolver um trabalho importante e continuado com populações portadoras de deficiência e/ou doença mental, numa lógica de trabalho que pretende alargar acessibilidades, promover o museu enquanto espaço inclusivo e reforçar a ideia de uma educação artística como parte integrante da formação completa de qualquer indivíduo – um princípio que se prende com o direito de cidadania.
Ao longo destes seis anos, o Setor Educativo do Centro de Arte Moderna tem assim desenvolvido trabalho com públicos muito diferenciados nas necessidades, desafios e exigências, e tem planificado e realizado um conjunto de oficinas criativas especializadas e diversificadas.
Estas oficinas, que partem da coleção e das exposições para descobertas e conquistas pessoais destes visitantes, complementando a experiência museológica com um trabalho oficinal, têm demonstrado que a capacidade questionadora da produção artística atual gera neste público respostas interiores e uma comunicação com evidentes reflexos terapêuticos e capacitadores de uma cidadania mais plena.
Este curso de cariz teórico-prático pretende apresentar, discutir e explorar algumas das estratégias e metodologias seguidas pela equipa de necessidades educativas especiais do CAM, estimulando os formandos a partilhar saberes, a adquirir ou diversificar ferramentas para uma melhor caracterização e um melhor conhecimento destes visitantes, a abordar diferentes metodologias de intervenção, a experimentar alguns exercícios de oficina, e a esboçar propostas de trabalho com estas populações.
Uma formação dirigida a professores, terapeutas, mediadores culturais e a todos os educadores que trabalhem ou pretendam vir a trabalhar com estes públicos.
Coordenação
Marta Vidal
Conceção e orientação
Margarida Vieira, Miguel Horta

O curso realiza-se nos dias 16, 23 e 24 de fevereiro de 2013. No sábado das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30m. No domingo das 10h00 às 13h00 (com a duração total de 15h). O bilhete da primeira sessão é válido para os dois dias e meio do curso.
O curso está creditado para os docentes do Ensino Especial dos grupos de docência 910, 920 e 930 de qualquer grau de ensino - 0,6 créditos - ao abrigo do protocolo com os Centros de Formação de Escolas António Sérgio, de Lisboa e Centro-Oeste, das Caldas da Rainha. Para estes casos, o curso requer inscrição prévia para o número de telefone 217 823 476 ou para o email descobrir@gulbenkian.pt. Quem não desejar creditação pode adquirir os bilhetes nas bilheteiras da Fundação ou pelo telefone 217 823 700

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Lalique com as famílias

Sábados Lalique”: Uma oficina para famílias diferentes. Pois eu gostei bastante do ambiente e dos trabalhos produzidos a partir das obras de René Lalique. Pais e filhos, irmãos, toda a gente produziu a sua obra de arte, experimentando materiais diversos, ao longo da manhã de sábado no Centro de Arte Moderna.